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06 outubro 2018

BOLSONARO, O NOVO MESSIAS?

* Emerson Marinho

Jair MESSIAS Bolsonaro, o candidato apoiado pela elite e por grande parte das igrejas e por eles visto como o novo MESSIAS, o “defensor da família”, dos “valores cristãos” e pelo discurso de “combate à corrupção tem hoje uma inevitável comparação com o MESSIAS que surgiu há mais de 2000 anos, que pregava a justiça e o amor acima de qualquer outro sentimento.

Adorado e venerado pelos cristãos em suas mais distintas denominações, Jesus Cristo ainda é uma unanimidade, não só por ser considerado o Filho de Deus, mas por suas ideias revolucionárias que iam contra as leis do Estado tradicionalista que nada tinha de laico, pois era influenciado diretamente pela religião. Podemos destacar um dos momentos mais sublimes dos “seus ensinamentos” quando uma mulher que havia cometido adultério, um dos maiores crimes da época, pelo menos pelas mulheres, foi trazida diante do MESSIAS para ser julgada. A pena para aquele crime, determinado pelo Estado e pela Igreja, era o apedrejamento em praça pública até a morte, como ainda acontece em alguns países islâmicos. Jesus calmamente começa a escrever no chão e diz: quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra. (Jo 8,1-11).

Dois milênios depois, estamos às vésperas de uma das eleições mais emblemáticas dos últimos anos, no Brasil, principalmente por colocar a religião como pauta principal. Um dos nomes mais discutidos na campanha, sustenta o sobrenome MESSIAS. É claro que seria impossível não fazer uma comparação entre os dois. Mas a comparação termina por aí, no nome MESSIAS, senão vejamos. Enquanto o MESSIAS, Jesus, pregou o amor à mulher pega em adultério, o outro Messias afirmou categoricamente: “Eu tenho 5 filhos. Foram 4 homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher,” como se mulher fosse um ser inferior ao homem; ou se esquecesse que foi necessário uma mulher para ter nascido ou que casou com três. Em outro momento de falta de amor, não perdoou a própria família: “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo” (disse o candidato em entrevista concedida à revista Playboy em junho de 2011).

Idolatrado como defensor dos valores familiares, casou três vezes. Foi acusado de ameaçar de morte a ex-mulher e mãe de três de seus filhos, a quem saiu publicamente em sua defesa, mesmo sendo candidata a deputada federal pelo Podemos e que usa o mesmo sobrenome do ex-marido. Entretanto, um amigo dela, Fernando Xavier, afirma que há 13 anos abrigou Ana Cristina em Oslo, na Noruega, que fugia de uma ameaça de morte.

Também venerado pelo seu discurso de “combate à corrupção”, em entrevista à TV Bandeirantes, em 1999, afirmou que sonegava impostos: “Conselho meu e eu faço: eu sonego tudo que for possível. Se puder, não pago (imposto) porque o dinheiro vai pro ralo, pra sacanagem. Prego sobrevivência. Se pagar tudo o que o governo pede, você não sobrevive”. De acordo com o TSE, entre os pleitos de 2010 e 2014 a renda do Bolsonaro subiu 97% sendo incompatível com o cargo que ocupa até hoje. Em 2014, a sua declaração de bens constava em R$ 2.074.692,43, (dois milhões, setenta e quatro mil, seiscentos e noventa e dois reais e quarenta e três centavos), valor que inclui cinco imóveis, entre os quais dois que não constavam na declaração anterior. Dois desses imóveis avaliados em R$ 400 mil e R$ 500 mil estão localizado em bairro nobre do Rio de Janeiro, onde as mansões são avaliadas muito acima desses valores. A renda dos filhos segue na mesma linha. No entanto, não se pode negar que é defensor da família: colocou os três filhos na política: Carlos é vereador no Rio de Janeiro, há 18 anos, sendo eleito pela primeira vez com 17; Eduardo é deputado Federal por São Paulo; Flávio, o primogênito, é deputado pelo Rio de Janeiro e a mãe de seus filhos é candidata a deputada Federal.

Muito ao contrário do outro MESSIAS, esse é preconceituoso, misógino e racista. Se o primeiro foi capaz de unir 10 mandamentos em 1, “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” (Mt, 22, 34-40), este simplificou que a violência pode ser combatida com mais violência. Para ele, o refendo de 2005, em que todos os eleitores brasileiros foram chamados a decidir pelo desarmamento ou não da população, foi um erro, ao decidirem pelo desarmamento. Ele já chegou a afirmar que: “Eu entendo que o cidadão armado é a primeira linha de defesa de um país que quer ser democrático. Tem que abrir para o maior número de pessoas ter o porte de armas”, ao mesmo tempo faz propaganda para a Taurus, uma das principais fabricantes de arma do país que, nos dois últimos meses deste ano, teve mais de 140% de alta em suas ações na bolsa de valores, só perdendo para o Banco do Brasil. A indústria da arma já doou mais de 2 milhões à “bancada da bala”. Bolsonaro é um dos defensores do Projeto de Lei 3722 que institui o Estatuto do Controle de Armas de Fogo que revoga o Estatuto do Desarmamento.     
Dois ou três dias antes do incidente em que foi atacado com uma faca, Jair havia afirmado que tinha um plano para ganhar no 1º turno. Muitos atribuem essa fala à tentativa de assassinato e chegam a afirmar que tudo não passou de uma trama. Afirmam haver diversas suspeitas: além do discurso, pouco antes do evento; a falta de sangue; a afirmação de que o candidato só andava de coletes à prova de balas, afirmação feita pelos próprios filhos; a declaração de que não passava de um corte superficial, dada por um dos filhos, poucos minutos depois do ocorrido, afirmando ter conversado com os médicos que o atenderam, mas que depois se transformou em ferimento grave de morte, pois valeria mais politicamente, etc, etc.

Como há 2 mil anos, estamos esperando mais um MESSIAS (“o ungido”) para dar um rumo às nossas vidas. O Jair (“ele brilha”), pelo seu histórico de vida e discurso, em nada faz jus às palavras hebraicas. Se o nosso primeiro Messias, usou o amor para unir as nações por mais de 2000 anos, usando um discurso de amor; o segundo se parece mais com um falso profeta que conclama o povo à violência, à cultura do ódio, mas transvestido como o salvador da pátria. Como diz a Bíblia, o livro sagrado dos cristãos: "Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.

* Bacharel em Comunicação pela Universidade Federal do Maranhão 

04 abril 2018

POR FAVOR, PRENDAM O LULA!


* Emerson Marinho

Hoje será dada a cartada final ao julgamento do ex-presidente Lula, mas ainda estará longe o final dessa história trágica, obscura e repleta de interesses escusos, de ambos os lados. A prisão é inevitável. E será bom que ocorra o quanto antes, assim, antes teremos os olhos abertos para ver, não a constatação de que um inocente foi injustamente condenado, longe do Lula ser inocente, mas veremos em pouco tempo como as grandes oligarquias políticas e midiáticas manipulam o povo, em sua maioria, de que fazem um bem ao Brasil e estão limpando o país da corrupção. Ledo engano, Lula é o boi de piranha, Lula é o gladiador jogado na arena aos leões em mais uma das antiquíssimas políticas do Pão e Circo da nova, velha sociedade romana-brasileira.

Em poucos meses estaremos mergulhados na disputa política apoiando ou torcendo por aqueles que acreditamos irá mudar a história política do nosso país. Após as eleições, mais uma vez nos cairá a fixa de que tudo continuará do mesmo jeito. As máscaras de alguns personagens poderão até mudar, mas todas irão cair e revelarão o mesmo enredo repetitivo, como as tradicionais histórias novelescas que insistem em trazer de volta as mesmas tramas, mas transvestidas de originalidade.

Em pouquíssimo tempo, constataremos que fomos ludibriados mais uma vez pelas raposas de mente perversa do nosso país que chegarão ou voltarão ao poder para se locupletar com o dinheiro público na certeza da impunidade. Os nossos três poderes estão carcomidos pela parcialidade e escusos interesses pessoais. Aqueles que se intitulam o Quarto Poder é quem distribui as cartas marcadas, porquanto também devem satisfação, não ao povo, detentora das concessões cedidas a essas mídias, mas ao capital financeiro, muitas vezes, internacional, que bancam esse grande criadouro de mentes alienadas, e ditam os rumos da política econômica e política dessa grande lorota chamada Brasil.

A Lava Jato tida como um marco no processo de purificação da pútrida política partidária do país, servirá apenas para escancarar os bastidores dessa abjeta política brasileira em seus três poderes, aliadas às outras oligarquias, que enriquecem os mais ricos e empobrecem ainda mais os já mal ditosos miseráveis.

Lula é condenado de forma justíssima pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Parafraseando o ex-presidente, “nunca na história desse país” se viu falar de tanto dinheiro desviado, de tanta corrupção. Isso não quer dizer que nunca existiu, mas jamais foi permitido investigar os crimes de colarinho branco, ou existiu o interesse das grandes mídias em divulgar com seriedade e imparcialidade os crimes cometidos pelos agentes públicos, pois sempre comungaram dos mesmos interesses.

Em 2010, Lula foi condecorado pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o título de “Campeão Mundial na Luta Contra a Fome”. Talvez isso explique porque os números ao ex-presidente são favoráveis nos estados que sofrem pela falta de investimento público, em educação, saúde, segurança, saneamento básico, etc., etc., etc.; nas regiões com os piores índices de IDH, em que concentram os maiores bolsões de miseráveis. Foi no governo Lula que tiveram, ainda que sendo programas sociais de cunho assistencialistas, um período em que um governo voltou seus olhos para atender a demanda desses pobres. Houve uma redução inquestionável da desigualdade social em todo o país. É fato que isso incomodou, deveras, quem sempre se orgulhou de se considerar superior aos demais, àqueles que se viam mais iguais do que os outros.

Quem observa de fora de toda essa celeuma de discursos jurídicos por quem conhece e quem acha conhecer as leis, nossa carta magna brasileira e seus códigos, sabe bem que nada irá mudar, a corrupção será apenas legitimada por grupos sociais que se dizem defensores da moralidade da política brasileira. Se calarão ao se verem envergonhados por perceber que foram manipulados e coniventes com as quadrilhas do dinheiro público que se perpetuam no poder.

Mas, por favor, prendam o Lula. Não que isso vá acabar com a corrupção ou vá intimidar aos novos e velhos larápios do dinheiro público. Mas pelo menos, teremos uma mudança de assuntos das pautas dos nossos telejornais. Quanto antes tivermos um desfecho dessa história digna de um folhetim novelesco, tão cedo teremos toda essa história passada a limpo. A triste constatação é que tudo continuará como dantes, já que a esperança se encontra na UTI aguardando o seu último sopro de vida.

* Bacharel em Comunicação Social

07 setembro 2017

INDEPENDÊNCIA OU TORPE?

O eco da nossa imprensa é de corrupção, desonestidade, desvios de dinheiro público por parte de quem tem por objetivo nos representar. Para nossa indignação constatamos que a única liberdade que os nossos representantes colocam em prática é a financeira, deles e dos seus.

Por: Emerson Marinho*

Há quase 100 anos um grito de independência foi dado às margens do Rio Ipiranga. O grito de D. Pedro I por independência ainda ecoa de norte a sul do nosso país. Hoje o povo sai às ruas com um grito um tanto diferente, de indagação: Independência ou torpe? Ainda que o desejo pela liberdade da nossa pátria seja latente, os nossos “inimigos” são outros: se antes eram estrangeiros, hoje os inimigos são nativos, viram as costas para os da própria pátria. A nação inteira se pergunta se o grito daqueles que dizem nos representar é realmente de liberdade ou torpor, desonestidade?

O eco da nossa imprensa é de corrupção, desonestidade, desvios de dinheiro público por parte de quem tem por objetivo nos representar. Para nossa indignação constatamos que a única liberdade que os nossos representantes colocam em prática é a financeira, deles e dos seus.

No dia em que comemoramos a nossa Independência, devemos lembrar do significado do brado dado por D. Pedro, um brado de inconformidade com a situação que pretendia continuar com as algemas do nosso povo, um brado que buscava a liberdade mesmo que tivesse que ser alcançada com sangue. Esse mesmo grito se encontra engasgado na garganta de todos os brasileiros que veem o seu voto ser jogada na lama da corrupção, que veem as suas empresas públicas serem assaltadas e doadas ao capital estrangeiro, que veem milhares de pais de família desempregados sem ter como dar uma vida digna a seus filhos, que veem o aumento dos preços do petróleo e seus derivados, da energia elétrica, dos alimentos e tantos outros produtos obtidos a partir de nossas próprias matérias primas.

O nosso grito de Independência deve ser levado às ruas junto à lembrança da morte daqueles que lutaram dando a própria vida para hoje fossemos livres, para termos uma pátria que precisa ser realmente ser chamada de amada.

* Bacharel em Comunicação Social

PT, O DIVISOR DE ÁGUAS DA POLÍTICA BRASILEIRA

O Partido dos Trabalhadores é o divisor de águas da nossa política: nada continuará como antes depois que o PT assumiu o governo.

Por: Emerson Marinho*

As nossas casas tem sendo invadidas nos últimos anos por notícias, das mais diversas, sobre a corrupção no meio político. E é claro e inegável o grande protagonismo do PT e o seu grande representante, Lula. O ex-presidente já foi, por diversas vezes, intitulado como o chefe da quadrilha, já foi indiciado e condenado, absolvido (ainda que não oficialmente) e será novamente indiciado e por fim, condenado e preso, isso é inevitável. Entretanto, o torpe e vil partidarismo daqueles que são contra o estadista e/ou o seu partido deixam a imparcialidade de lado e não dão os devidos créditos ao líder político.

Não é de hoje que a demagogia impera no nosso país. Quando se faz referência à histórica frase do Lula proferida em diversos discursos “nunca antes na história desse país”, atualmente se vincula aos casos de corrupção, desvios de dinheiro, à economia quebrada ou a tantos outros fatos “negativos” atribuídos ao “Pai dos Pobres”. É inegável afirmar que nunca se viu nos nossos meios de comunicação notícias de quantias avultantes e fatos aviltantes, como na época do PT. Mas também não podemos fechar os olhos para os fatos “positivos” dos mais de 10 anos de governo do Partidos dos Trabalhadores, que o digam os mais pobres, que mesmo com toda a sorte de denúncias contra o ex-presidente, ainda afirmam categoricamente votar nele se esse for novamente candidato.

O Partido dos Trabalhadores é o divisor de águas da nossa política: nada continuará como antes depois que o PT assumiu o governo. Não se pode negar que Lula, Dilma e os outros líderes políticos desse partido estão envolvidos até o pescoço de forma ativa ou passiva, com todo a sorte de processos de corrupção denunciados e divulgados diuturnamente por nossa imprensa. Apesar de negarem insistentemente serem ilações e não condizer com a verdade, os fatos não permitem mais negar: são culpados.

De outro lado, são culpados também, e os “grandes responsáveis”, mesmo indiretamente, por todas as denúncias de corrupção, pelas investigações da Polícia Federal que (até ano passado) tinham toda a liberdade para investigar os ilícitos dos colarinhos brancos e até mesmo prender quem se achava acima da lei. São eles os principais responsáveis por fazer com que a população conheça, por dentro, a pútrida política que impera no nosso sistema republicano de se fazer política. É claro que essa abertura foi um tiro no pé dos petistas, foram arrogantes ao acreditar jamais serem alcançados pelos longos braços e fortes da lei.

Repito, as afirmações de que “nunca se viu tanta roubalheira e corrupção no nosso país” é desonesto e demagógico, mas tem um pouco de verdade. É verdadeiro que nunca se viu, pois nunca foi denunciado ou investigado, nunca foi permitido se entrar na caixa preta da política brasileira. E é por esse mesmo motivo que é: desonesto e demagógico dizer que nunca houve tanta corrupção. Ou alguém acredita que foi o PT que inventou essa forma de governar? Se hoje tivéssemos o poder e autoridade para pedir a investigação de todos os nossos ex-presidentes, desde a época da redemocratização, alguém acredita que o modus operandi era diferente? Alguém acredita que as nossas instituições públicas jamais serviram de caixa para as campanhas e cofres pessoais dos nossos políticos? Ou alguém acha que os valores desviados, percentualmente,  comparados ao Produto Interno Bruto daquela época, são diferentes de hoje? É claro que estamos nos restringindo ao Governo Federal, no entanto, todas essas conjecturas serviriam como uma luva para os governos estaduais, municipais e distrital. Se fossemos um pouco mais fundo iríamos encontrar essa prática execrável nas mais simples instituições como, diretoria das escolas, postos de saúde, etc.

Não mais nos surpreende quando nos são apresentadas as planilhas de qualquer campanha política com seus volumosos valores que vão de alguns milhares até centena de reais. Nos perguntarmos, por que tantos querem disputar cargos públicos eletivos se é necessário esse grande investimento em campanha, já que o salário de 4 anos de mandato jamais daria para quitar nem um décimo dessa dívida? A resposta é bem simples, não pagam os empréstimos obtidos junto a agiotas com o salário de parlamentar, mas sim, com o produto da corrupção das mais diversas, pois passam a tratar as empresas públicas como privadas, como extensão de seus próprios negócios e os recursos públicos como pessoais. Essa é a equação da nossa política e é por isso que tantos se perpetuam na vida política que é tida como profissão.

Nada mais será como antes, depois do PT, pelo menos é essa a nossa esperança. Depois do governo do PT precisamos passar o Brasil,  realmente, a limpo. É preciso uma reforma política urgente, mas uma reforma discutida com o próprio povo, não uma reforma feita pelos políticos que serão os próprios beneficiados, muito menos por aqueles denunciados em processos de corrupção. O problema do Brasil nunca foi e jamais terá sido o PT, afinal tantos outros partidos, senão todos, estão diretamente ou indiretamente ligados à corrupção, mesmo aquela ainda não descoberta. Atualmente, é difícil encontramos alguém que acredita em partido ou político honesto no Brasil. O povo precisa participar dessa e das outras reformas de forma ativa. Não podemos mais considerar ser representados por aqueles suspeitos ou apontados como criminosos. O Brasil não é assim, os brasileiros não são assim. Nos permitamos, mais uma vez, dar o nosso grito de Independência para que o Sol da Liberdade volte a brilhar no céu da nossa Pátria Amada novamente.

* Bacharel em Comunicação Social

26 novembro 2016

A GLOBO E A MANIPULAÇÃO DA NOTÍCIA

Por: Emerson Marinho*

Falar da Globo e sua intimidade de uso do discurso para manipulação da informação é tratar do óbvio, porquanto já foi protagonista de tantos exemplos recentes na história da nova república repetidos à exaustão nos estudos acadêmicos no interior das academias que tratam de comunicação e até mesmo entre aqueles, pouco letrados, mas interessados nas histórias obscuras dos nossos meios formais de comunicação social. Evitando ser prolixo cita-se o episódio da eleição do primeiro presidente por voto direto, ou ser uma das grandes responsáveis pelos dois casos de impeachment do nosso país, nos dois estremos da nossa recente história de democracia. Entretanto, é salutar apresentar um exemplo recente de manipulação de notícia com fato externo ao nosso território. Não há aqui um estudo de caso, com dados explicativos que testifiquem as informações aqui prestadas, mas observações que podem ser constatadas por qualquer leigo que se interesse por política partidária, ou mesmo em história contemporânea.

Há um ditado popular entre aqueles que se interessam por jogos: quem vê melhor é quem está de fora. A eleição para presidente nos EUA serve como uma excelente oportunidade para fazer uso desta máxima.

Quem acompanhou os telejornais globais e suas coberturas das eleições norte americanas, semanas antes do grande dia, deve lembrar como os dois candidatos eram abordados: Donald Trump foi mostrado como um ser desprezível, arrogante, misógino, racista, xenófobo e até mesmo louco. A tentativa de deturpar a imagem dele levou a colocá-lo contra imigrantes, pobres, e até contra as próprias políticas nacionais e mesmo internacionais. Por fim, os colocou contra as mulheres, tendo sua principal representante a Hilary Clinton, que foi apresentada como uma mulher injustiçada, agredida por alguém bruto que lhe atinge em sua natureza feminina. Hilary, ainda que injustiçada, era a mulher que mais representava as ideias progressistas para manter o país como a principal potência mundial e a esperança de manter a ordem econômica mundial.

As semanas passam e a proximidade da eleição mais abre hiatos que congruência entre o discurso dos telejornais da Globo e o resultado das pesquisas de intenções de voto para presidente dos EUA: se o candidato é tão desprezível e despreparado para assumir a presidência, por quê o candidato tem quase metade da preferência do eleitorado? Das duas uma: ou o povo americano era irresponsável para escolher um ser vil, miserável para assumir o principal cargo no país e quiçá, no mundo, ou as informações passadas pela Globo estavam deturpadas.

Com a proximidade do dia da eleição, e as pesquisas apontando a possibilidade do republicano vencer o pleito, ainda que a Globo não aceitasse isso como fato, tenta ajustar o discurso e passa a mostrar a Hilary como uma mulher nem tão preparada para assumir o cargo. O discurso apresentado no Jornal da Globo, véspera da eleição, já anunciava uma disputa acirrada e não tão certa com a vitória da Democrata, ou mesmo, o que não era cogitado, a derrota da preferida da emissora. Talvez não fique tão claro para os leigos as razões e interesses da emissora global pela preferência à candidata (isso daria assunto para outro post), mas o certo é que ela vai ter que engolir o Donald Trump.

De volta ao Brasil, dois dias depois de cobrir in loco as eleições americanas, o apresentador do Jornal da Globo, William Waack, em um dos blocos conversa com o narrador esportivo, Luís Roberto, indagando em tom melancólico, carregado de decepção, quais seriam os prognósticos sobre o campeonato brasileiro, já que seria mais fácil analisar o campeonato brasileiro que a política, dando a entender que jamais esperavam por aquele desfecho.

Com a mudança do discurso radical do Trump para um discurso mais conciliador, a Globo tenta atenuar o seu, mas ainda carrega o mesmo ódio que guarda da esquerda brasileira que lhe tirou a oportunidade de continuar fazendo uso indiscriminado dos recursos publicitários que tanto foram necessários para a manutenção da rede de comunicação como a maior da América Latina e uma das cinco maiores do mundo. Como as teorias, as história nunca se fecham e estão o tempo todo em constante mudanças ou ajustamentos. Se pode constatar os fatos aqui expostos e o desenrolar e o ajustamento ou não do discurso da Rede Globo ao momento político nos telejornais da Globo, isso se alguém tiver estômago para encarar o discurso tendencioso, parcial e carregado de ódio por aqueles que se colocam contra a sua hegemonia.



*Bacharel em Comunicação Social