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Emerson Marinho*
Em matéria recente, Antônio Camarote, articulista da Forbes
Brasil, publicou um texto intitulado "O Brasil não aguenta mais dois anos
de governo Lula". Nesta matéria,
Camarote atribui ao atual governo a responsabilidade por problemas econômicos,
como uma suposta crise fiscal e a alta dos juros, e afirma que a administração
petista estaria conduzindo o país para o colapso. Em tom alarmante, o
articulista insinua que a falta de ação do Executivo, combinada com um
Legislativo “reativo”, teria consequências gravíssimas para a economia
brasileira.
Apesar
de projetar um cenário de crise, o articulista ignora fatos fundamentais: o
Brasil tem apresentado resultados econômicos que desmentem categoricamente sua
análise apocalíptica. Segundo dados recentes, o país registra taxas de
crescimento do PIB superiores às expectativas iniciais, um desemprego em queda
histórica e o retorno de investimentos estrangeiros diretos, posicionando-se
como o segundo destino mais atrativo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Ainda
assim, o governo enfrenta resistência em várias frentes, como a falta de apoio
no Congresso Nacional para aprovar projetos estratégicos e os ataques
especulativos do empresariado. Além disso, a alta taxa de juros, controlada
pelo Banco Central, age como um entrave para o crescimento econômico,
alimentada por narrativas que privilegiam os interesses de poucos. É importante
lembrar que a autonomia do Banco Central, consolidada na gestão de Jair
Bolsonaro, ainda beneficia figuras como Roberto Campos Neto, que demonstrou
alinhamento com o mercado e pouca colaboração com a política econômica atual.
As
críticas à política econômica do governo Lula não são apenas uma questão de
interpretação; elas fazem parte de uma estratégia orquestrada por setores
interessados em desestabilizar o governo. Para muitos empresários e
especuladores, a manutenção de uma taxa Selic alta é essencial para garantir
retornos absurdos de investimentos passivos, enquanto a maioria dos brasileiros
luta para sobreviver com o mínimo. Não é coincidência que publicações como a de
Camarote surgem em momentos em que o governo adota medidas que ameaçam
privilégios históricos, como o fim de desonerações fiscais para grandes
conglomerados.
Essa
narrativa também ecoa nos principais veículos de comunicação do país, como os
editoriais recentes de jornais tradicionais que tentam associar o desempenho da
economia exclusivamente ao governo federal, ignorando os efeitos de políticas
externas e internas herdadas de administrações anteriores. É o mesmo padrão
utilizado durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que
posteriormente foi inocentada das acusações de crime de responsabilidade
fiscal, evidenciando o caráter
golpista daquele processo.
Países
como Alemanha e França já enfrentaram desafios econômicos significativos e
implementaram políticas que privilegiaram o bem-estar social e o fortalecimento
do mercado interno, contrariando a agenda neoliberal. Nessas nações, o aumento
do investimento público e a regulação de setores estratégicos permitiram uma
recuperação econômica sólida. O Brasil
não deve seguir na contramão,
privilegiando unicamente os interesses do mercado financeiro, em detrimento da
população.
Os
resultados econômicos do governo Lula III são inegáveis: o desemprego caiu para
6,2%, atingindo o menor nível histórico, a pobreza está em seu patamar mais
baixo desde 2012, e o PIB tem superado todas as expectativas de crescimento.
Esses avanços não eliminam os desafios, mas demonstram que o país está em uma
trajetória de recuperação consistente.
Os
críticos, no entanto, ignoram esses números e insistem em um discurso de caos,
principalmente porque o governo Lula
ousa colocar o pobre no orçamento e estabelecer políticas fiscais mais justas,
como a isenção de impostos para rendas até R$ 5.000 e a tributação de fortunas
bilionárias. É isso que incomoda: um governo que busca equilíbrio, mesmo em um
cenário de tantas limitações.
É fundamental que a população que acredita no estado democrático de
direito se mantenha vigilante e mobilizada. Quem defende políticas que atendam às necessidades de quem mais precisa
não pode se calar diante de tentativas de desestabilizar um governo
democraticamente eleito. A democracia brasileira é jovem, mas sua sobrevivência
depende da resistência ativa da sociedade.
O
texto de Antônio Camarote não é apenas uma análise equivocada; ele é parte de
um esforço coordenado para deslegitimar o governo Lula e pavimentar o caminho
para mais um golpe contra a democracia. Mas o Brasil de 2024 não é o mesmo de
2016. A sociedade está mais consciente e organizada, e as conquistas sociais e
econômicas falam por si. Cabe a cada um de nós, cidadãos, resistir a essas
investidas e defender um país mais justo e inclusivo.
* Bacharel em Comunicação Social