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05 agosto 2009

COMO ANDA A NOSSA CIÊNCIA?


* Emerson Marinho


“Pensamos que estamos em desvantagem em relação aos estudantes das demais universidades do país, mas estamos tão bem preparados quanto eles”, esta foi a conclusão a que chegou o estudante do 9º período de Ciências Sociais da UFMA, Leonardo Oliveira da Silva Coelho após ficar em terceiro lugar na premiação Sociólogos do Futuro que aconteceu no Campus da Praia Vermelha da UFRJ no final do mês de julho.
Isto nos faz refletir que temos uma considerável produção científica no Estado, tendo bastante qualidade, e com um avolumado número de cientistas tão capazes quanto os dos grandes centros. Mas por que temos tão pouca projeção?
A resposta não é tão simples, devido a quantidade de fatores envolvidos neste processo. Mas pretendo me ater a dois somente, por serem os mais visíveis: a falta de investimento e a de divulgação.
A primeira é explícita, as produções científicas são realizadas somente nos centros acadêmicos, quando muito, tendo o apoio de órgãos como o CNPq, que concedem bolsas para o desenvolvimento de pesquisas, mas ainda assim, o investimento no Estado ainda é muito pouco. Poucas também são as áreas que é visível este investimento, acontecendo muito mais na área técnica e da saúde e pouquíssimo investimento na área das humanas e sociais, por exemplo. Há de se destacar também o pouco interesse demonstrado pela grande maioria dos professores que muito pouco tem incentivado os estudantes a ingressar na área da pesquisa, limitando-se a formar técnicos.
Na área da divulgação vemos muitos poucos espaços que publicizam pesquisas científicas. Temos como exemplo o site da Fapema, que é muito mais um espaço para divulgação das pesquisas apoiadas pela instituição. A mesma instituição mantém um programa radiofônico que é veiculado na Rádio Universidade e Rádio Esperança FM de nome Inovação, homônimo da revista da fundação que segue a linha do site. Temos também o site da UFMA que vez por outra faz uso do seu espaço para divulgar as pesquisas realizadas na Academia, busca muito mais promover a instituição que fazer a divulgação propriamente dita. E por fim o Rádio Ciência, o mais antigo programa de Rádio Jornalismo do Brasil ainda em atividade. A ressalva feita a este programa, assim como aos outros meios de divulgação supracitados é que eles não discutem, e nem levam o público a discutir o assunto, se limitam a apresentar o resultado das pesquisas sem dizer de que forma elas interferem no cotidiano dos ouvintes. Mas isso é outra história e pauta para o nosso próximo texto.
* Bacharel em Comunicação Social e co-produto do programa Rádio Ciência

26 julho 2009

DISCUTINDO CIÊNCIA!


By Emerson Marinho*
A prática da divulgação científica no nosso Estado é algo, que embora não incipiente, precisa ser entendida como fundamental para a formação social, psicológica, educacional e política da nossa sociedade. É premente afirmar ainda, que a realidade apresentada no nosso Estado não é algo exclusivo nosso, ela é nacional e chego a afirmar, mundial, com algumas exceções. Exceção feita aos Estados Unidos, se não único, é um dos poucos países a perceber a divulgação científica como atividade geradora de investimentos nas pesquisas científicas, mesmo sendo uma visão mercadológica, acaba, por consequência, propiciando o bem estar social.
De volta ao nosso país, vemos no eixo Rio - São Paulo um dos mais desenvolvidos centros de produção científica, já com números expressivos na produção mundial, guardando-se as devidas proporções quando comparado com a produção americana e de países da Europa, como a Inglaterra, em que os investimentos públicos e privados são imensos.
Digo isso apenas para evidenciar a ponta do iceberg que é a problemática da discussão que envolve, não só a produção científica como a sua divulgação. Em relação a esta última, há de início a dificuldade da compreensão do que é e de como fazer a divulgação científica. Isto parte dos vários conceitos decorrentes das várias linhas de pensamentos que acreditam que esta produção deve ser entendida a partir dos seus produtores, enquanto outros, de seu conteúdo. Para melhor entender isso, cito que, os cientistas acreditam que a divulgação científica deve ser realizada por cientistas que são os produtores intelectuais das pesquisas, do outro lado os jornalistas que, por terem acesso às técnicas de produção textual para a grande massa, se colocam como os mais aptos a realizarem a divulgação científica. Pasquale e Bueno são dois teóricos que chegam a discordar em alguns pontos, mas endossam que jornalista e cientista devem trabalhar juntos.
Como se pode ver a discussão vai longe, ainda mais quando se fala da realidade maranhense, que anda aquém do que se espera. Assim, estou me propondo a colocar em pauta a prática da divulgação científica no estado fazendo uma análise do que é produzido, do que é divulgado e quais os interesses por traz dessas produções, já que são poucos os meios de comunicação que se propõe a isso.
Nos encontramos em breve.
* Bacharel em Comunicação Social pela UFMA e um dos produtores do programa Rádio Ciência.

25 julho 2009

CABEÇAS VÃO ROLAR


Seria cômica se não fosse trágica a afirmação do advogado do Presidente do Senado quando comenta as denúncias que são feitas contra o seu representado: O Crime é divulgar a conversa. Poderia sugerir a seguinte retificação ao causídico: divulgar a conversa TAMBÉM é crime.
É absurdo como, neste nosso Brasilzão de meu Deus, tudo é normal. As benesses obtidas pelos políticos em muito são tidas como procedimentos normais. A velha máxima "rouba, mas faz", se mantém viva, mais do que nunca, nos discursos proferidos pelos de menor poder aquisitivo ou, os dito, de menor afeiçoamento "intelectual".
Lula diria que "não se pode vender tudo como se fosse um crime de morte". Para o presidente, "uma coisa é matar, outra é roubar, outra é pedir emprego, outra coisa é relação de influência, outra é lobby", como se houvessem crimes menores que não precisassem de condenação. Diz ainda, “o Ministério Público deve considerar a biografia dos investigados”, como se só devessem pagar pelos seus crimes os tantos sujeitos anônimos que sofrem por não terem oportunidade, por serem pobres, negros, sem educação, mas que trabalham de segunda a sábado cumprindo uma rotina de trabalho. Além disso, fazem hora extra para complementar a renda e dar sustento, educação em busca de uma vida melhor a seus filhos.
De fato, tudo neste Brasil é normal.
Facilitação de outorga a emissora de Tv também é normal, tanto que é agradecida por um “obrigado, paizão”.
Quem acompanha de perto a batalha travada pelas nossas rádios comunitárias para conseguir outorga (licença de funcionamento) sabe que é uma luta comparada à Odisséia de Ulisses, herói da mitologia grega.
A “desventura” da Rádio Comunitária Conquista, para não citar outras, é talvez um dos casos mais emblemáticos. Na UFMA todos os professores que conhecem o seu trabalho elogiam-no considerando sua programação como sendo “verdadeiramente comunitária”. Ela já foi fechada por quatro vezes, tendo os seus equipamentos apreendidos e seus diretores indiciados como criminosos (um deles continua prestando serviço comunitário, em substituição à pena de reclusão), apenas por se propor a levar informação de qualidade, isenta à comunidade mais carente que se ressente de não acessar a boa comunicação, prática pouco procurada pelos nossos meios de comunicação.
A luta da Rádio Conquista por conseguir a tão sonhada outorga não é de hoje, já vão mais de 10 anos e a única resposta que tiveram, ano passado, foi a alegação, por parte do Ministério das Comunicações, de que o espaço, por eles requerido, já estaria sendo ocupado por uma rádio evangélica (nada contra a entidade religiosa), mas que nunca havia entrado no ar.
O mais estranho é que esta rádio está ligada a apadrinhado político (ou é de propriedade de um) e sua programação em nada atende ao que o estatuto das rádios comunitárias exige, que não haja proselitismo religioso, sendo aberta a toda comunidade, sem distinção de cor, credo, opção sexual ou política.
O certo é que baseado neste exemplo observa-se que “para o povo nada e para os políticos, ricos, poderosos, tudo”.
O que nos revolta, enquanto cidadão que acredita que ainda é possível uma mudança neste estado de desmandos que se encontra o nosso país e o nosso Estado é a apatia do povo brasileiro e principalmente o maranhense que se recolhe ao seu mundo, recluso em seus afaseres achando que os outros é que tem que resolver seus problemas. E diferente do que é proferido por muitos, não é só no voto que se pode exercer este papel cívico, ele é apenas uma arma, a outra é ir às ruas em coro e pedir que as cabeças de quem se beneficia do erário público, possam rolar.

01 julho 2009

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