
A Rede também foi responsável (dentre
tantas outras inserções, diretas ou não, na política partidária) por ter contribuído
decisivamente para a eleição do primeiro presidente, após a Ditadura Militar, estampando
em seus telejornais a imagem do candidato jovem e capaz de dar novos rumos para
o país que vivia uma das maiores crises em todas as áreas. Da mesma forma, o conglomerado
global (principalmente a TV) dois anos depois de eleger Fernando Collor, fez campanha
massiva, fazendo uso dos “Caras Pintadas”, para expurgar do poder o intitulado “Caçador
de Marajás.
O apoio ao governo Tucano foi
evidente durante a década de governo do PSDB. As críticas ao governo Lula só
foram amenizados pelo apoio da maioria da população ao governo Lula com seus
programas assistencialistas, como o Bolsa Família. Lembremos que durante a campanha
eleitoral para o segundo mandato de Lula e o 1º de Dilma evitou-se ao extremo se
fazer críticas ao governo Lula, ou de forma mais específica, ao candidato, pois
este tinha cerca de 80% de aprovação.
Com a morte trágica do então
candidato à presidência, Eduardo Campos, as poucas esperanças pela eleição do
Aécio e a Direita, que era um sonho, começa a se materializar. Os resultados
dos institutos de pesquisa dão uma sobrevida e mostram que a fantasia poderia
se tornar realidade.
O resultado surpreendente das
urnas no primeiro turno mostrou o que poucos esperavam, a virada do Aécio
deixando mais uma vez a Marina Silva que se mostrou um cavalo pangaré, parte na
frente, mas na reta final acaba ficando para trás. Fortalecido pelos primeiros
resultados das pesquisas mostrando a preferência do eleitorado pelo Aécio, a
Globo se anima e intensifica sua campanha, já pouco velada, pela eleição do
candidato do PSDB.
A massificação dos números negativos
da economia é intensificada como novidade absurda promovida por este governo. Chega-se
a insinuar que o governo Lula nos seus dois mandatos conseguiu, às duras penas,
a estabilidade da economia, apenas para justificar que o atual governo não
consegue fazê-lo, ainda que, o Ministro da Economia continue o mesmo há quase
12 anos.
A providencial, oportuna e
inexplicável divulgação das denúncias de desvios na Petrobrás, durante as
eleições presidenciais, é munição usada à exaustão pelos jornais globais, como
se fossem absurdamente os maiores exemplos de abuso do poder econômico e de
apropriação indébita dos recursos públicos de toda a história do nosso país. É
claro que isso nos enoja como cidadãos honestos, nos deixa repletos de revolta por
saber como sujeitos desprezíveis enfiam a mão nos cofres públicos e ainda vão à
imprensa revelar o que fizeram, respiram o ar da impunidade que impera no nosso
país nos três poderes, e que não serão obrigados a devolver ao erário público o
que tão sinicamente se apropriaram de forma indevida.
Por outro lado, os primeiros dias
da campanha pela TV não tem modificado a tônica do primeiro turno, para além da
apresentação de propostas, acusações de lado a lado, deixando o eleitor muito
mais confuso por saber qual o candidato será capaz de representá-lo quando
parece incapaz ou no mínimo despreparado para governar com transparência,
competência e honestidade. Mas isso é assunto para outra conversa.
Emerson Marinho